Conheça a UBISOFT como são feitos os jogos, super matéria do jornal da globo coluna conecte


Ubisoft
Fundada na França, hoje a Ubisoft tem 26 estúdios em 17 países. sonorizar um minuto de jogo pode levar até dois dias.

O sucesso de games como Assassin’s Creed e Far Cry depende não só de imaginação, mas também de um meticuloso trabalho que a coluna Conecte foi conhecer nos estúdios da francesa Ubisoft, em Montreal, no Canadá.

A empresa, uma das principais produtoras de jogos do mundo, reúne artistas e técnicos dedicados à sonorização, cenários e detalhes dos jogos, que precisam de muito tempo e de muita criatividade.

Você já imaginou o trabalhão que dá sonorizar um game? Para fazer “uma” cena, uma só, são necessárias mais de 20 trilhas sonoras. Sonorizar um minuto de jogo pode levar até dois dias.
Fundada na França nos anos 1980, hoje a Ubisoft tem 26 estúdios em 17 países. Para começar um game, a direção artística parte de um tema visual. O diretor artístico, Dominic Laforge, a partir dessa ideia, cria os lugares onde a ação vai acontecer.

Dominic está nesse mercado há 12 anos e trabalhou na versão 3 do Far Cry, que está entre os jogos mais vendidos. “Eu crio todo um universo que o jogador vai explorar. Passo dias criando uma pequena área que o jogador irá descobrir ou não”, afirma.
Os cenários são criados no computador, a partir de referências reais como fotos e filmes. É a criação de um novo mundo virtual.

O jogo Assassin’s Creed, na versão 2, se passa na Renascença, em cidades da Itália como Florença e Veneza. O modelador Marco Tremblay mostra como se transforma uma foto de um lugar como esses em uma imagem totalmente digital que vai permitir se viver dentro deste mundo. “Você tem que ser preciso com a história porque isso existe em algum lugar”, afirma.
Tudo é trabalhado para ganhar as mesmas formas, dimensões e os detalhes da construção original. É preciso moldar, acertar as texturas e a iluminação. O processo pode levar um mês, um mês e meio.
Para deixar o jogo mais realista, uma pessoa serve de modelo. Em todo o corpo, são colocados pontos que captam e registram os movimentos e as expressões faciais. Câmeras filmam o trabalho. O resultado é que os personagens não parecem ter sido feitos em computador.
O presidente da empresa no Canadá, Yannis Mallat, conta que a Ubisoft fez o jogo Avatar, lançado junto com o filme, e que o diretor James Cameron usou no filme técnicas desenvolvidas na produção de videogames. “Vai haver uma convergência entre cinema e vídeo game, mas podemos dizer que uma das diferenças é que o videogame é um meio interativo. Por isso, o caminho e fluxo da experiência dependem da ação do jogador”, explica.

Em um lugar escuro e misterioso, é instalada a sala de observação. Os vidros são espelhados. Dentro, ficam pessoas comuns testando os jogos, e, do outro lado, ficam os criadores, para ver se os jogos que eles fizeram funcionam ou não.
A avaliação é feita a cada etapa da criação. Jonathan Dankoff é responsável pelos testes. “Temos desde crianças de seis anos a jogadores de 70 anos testando os jogos. Queremos ter certeza de que representam a população em geral”, diz.
Os voluntários ganham uma diária para testar os games. Todas as reações são estudadas. Os criadores veem o que funciona e o que não funciona.

O brasileiro Rafael Morado trabalha na Ubisoft como game designer do jogo Splinter Cell. “A gente pensa o que o jogo vai ser, quais vão ser as regras, quais vão ser as interações que o jogador vai ter, quais são os sistemas com os quais ele vai interagir e como é que o jogo vai se desenvolver”, afirma.
Louis-Pierre Pharand, diretor da marca Assassin’s Creed, conta que está em produção o primeiro filme de longa-metragem baseado no jogo. Louis-Pierre também dirige o laboratório que cria jogos gratuitos para redes sociais, smartphones e tablets.

Os jogos on-line são mais um desafio para a indústria dos games, um mercado onde o jogador decide como aproveitar tudo que foi criado. “Quando você tem algo que é online e que vai crescer por muitos anos, você está em contato direto com aquela comunidade (de jogadores). Essa comunidade vai dar contribuições sobre aquilo que a gente faz e vamos evoluir o tempo todo”, explica Louis-Pierre.

Fonte G1